Indo além dos atributos da liderança feminina

moana baby

“O mundo precisa de atitudes, não de opiniões. Opinião nenhuma mata fome ou cura doença”

– Angelina Jolie –

 

Durante o mês de março, tive o privilégio de participar de alguns eventos direcionados ao público feminino. Sim, eu era um dos pouquíssimos homens presentes nesses encontros, que abordaram desde a defesa pela igualdade de gênero, ações de combate a violência doméstica até mulheres acadêmicas e líderes de negócio bem sucedidas, que compartilharam suas histórias pessoais, inspirando o público com exemplos de superação, sobre o exercício da maternidade e o desenvolvimento da carreira.

A temática do feminino sempre me encantou. Além da forte influência materna, uma relação de 21 anos com a mesma mulher e do privilégio de ser pai de duas meninas, tenho uma quantidade considerável de amigas muito próximas. Mas há algo que vai além das convivências cotidianas, que envolve o fato de saber que as comunidades guiadas por mulheres parecem ser mais equilibradas, justas e pacificas. Sabe-se que as civilizações matriarcais valorizavam a solidariedade e a vida acima de tudo, assim como a cooperação, a paz e o progresso por meio da harmonia. Assim foi com os povos Celtas, os Elamitas, os Mosuos e os Hopis, para citar alguns. Considerando as devidas proporções, os valores matriarcais estiveram presentes na minha infância. Cresci numa vila sem saída no bairro do Tucuruvi, na década de 1970. Eu, meus irmãos e um monte de outras crianças brincávamos, brigávamos e éramos assistidos por todas as mães que cuidavam de todos os filhos. Havia cooperação, confiança irrestrita e apoio entre aquelas mulheres da vila.

Em janeiro, para comemorar o aniversário da minha filha caçula, fomos ao cinema assistir a animação Moana: um mar de aventuras, da Disney. Além da empolgante história que nos coloca em contato com a belíssima cultura Maori, a força dos mitos e a “jornada da heroína” da protagonista, o filme nos presenteia com uma mensagem tão singular e especial para os novos tempos, abrindo-nos para modelos mentais mais amplificados sobre homens e mulheres. Moana não é uma princesa padrão das histórias tradicionais e romantizadas, mas uma jovem líder tribal, que tem uma forte conexão espiritual / mística com a vida, educada nos conhecimentos ancestrais da família, da cultura e, naturalmente, busca novos horizontes. Seu chamado não é para satisfazer um sonho pessoal fútil ou se livrar de alguma opressão. Uma história tão inovadora que nem há um vilão. O espirito aventureiro de Moana é colocado a serviço da comunidade, pois ela é “convidada” a restaurar o “coração da Deusa”, para assim, garantir a sobrevivência da sua comunidade.

A animação me levou a refletir sobre essa dicotomia entre patriarcado e matriarcado e suas distorções (machismo e feminismo). Moana é a personagem que simboliza os valores que superam essa dicotomia, os valores matriciais ou matrísticos (de Humberto Maturana) que parte da ideia de que homens e mulheres podem viver de um modo harmônico, sem hierarquia ou antagonismos, baseado numa convivência de participação, confiança e complementaridade ao invés de controle e autoridade.

Os valores matrísticos integram os atributos femininos e masculinos que precisam ser incorporados na liderança de homens e mulheres, para a construção de negócios e comunidades sustentáveis. São valores inclusivos, que saem da armadilha do “ou…ou” e consideram o “e…ambos” e articulam o acolhimento, a cooperação, a sensibilidade, a criatividade, a aceitação, o estabelecimento de limites, a conciliação, o resultado, a objetividade e o amor à natureza e às pessoas.

Dedico este artigo as mulheres da minha vida, com todo meu amor.

2 comentários sobre “Indo além dos atributos da liderança feminina

  1. Carlos Legalas, primeiramente, quero registrar que adoro o seu trabalho, já tive a oportunidade de participar de alguns workshops ministrados no Senac.

    também assisti ao filme Moana e me encantei, apesar de ser direcionado ao publico infantil, a história como vc mesmo relatou faz muito sentido para nós adultos, com grandes mensagens motivacionais e culturais de uma forma natural. Esse foi o primeiro filme que levei minha filha de 3 anos ao cinema, você acredita que ela se emocionou? Chorou de verdade rsrsr Ficou atenta e encantada o tempo todo. Fiquei muito feliz de leva-la para assistir um filme como esse. Obrigada por compartilhar seu conhecimento e espiritualidade. Um grande abraço Sharonn

    1. Oi Sharonn. Que alegria receber sua mensagem. Muito obrigado. Nesse desenho até eu me emocionei, acredita? Um grande abraço pra você e saúde para a filha.

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